Em cirurgia inédita, mulher nos EUA recebe coração mecânico e rim suíno

Essa é a primeira vez que uma pessoa com bomba cardíaca recebe transplante de qualquer tipo; e a segunda que um rim suíno modificado é colocado em pessoa viva

O NYU Langone Health, centro hospitalar acadêmico nos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (24) a realização de uma cirurgia sem precedentes: médicos da instituição realizaram a primeira cirurgia de aplicação de uma bomba cardíaca mecânica e de transplante de rim de porco editado geneticamente em uma mesma pessoa.

Feito em uma mulher de 54 anos com insuficiência cardíaca e renal considerada terminal , o procedimento pode ser considerado um marco na medicina moderna. A cirurgia foi separada em dois momentos, realizados em um intervalo de nove dias. No primeiro, foi implantada a bomba cardíaca; depois, o xenotransplante – nome dado ao transplante de órgão entre espécies diferentes.

Na primeira cirurgia, a equipe médica colocou um dispositivo de assistência ventricular esquerda (LVAD), a bomba cardíaca, que funciona descarregando o ventrículo esquerdo e direcionando sangue para a aorta. O LVAD é normalmente usado em pacientes que aguardam um transplante cardíaco ou que são considerados inelegíveis para tal. Ele foi colocado de maneira emergencial, já que, sem o dispositivo, Lisa teria sua expectativa de vida reduzida em dias.

O método foi utilizado porque Lisa Pisano, a paciente em questão, não se encaixava nos critérios para ingressar na fila de transplantes. Por conta de condições crônicas, as estatísticas de sucesso dos procedimentos eram reduzidas. Dessa forma, ela se tornou uma candidata para esse inédito feito médico.

Oito dias depois, a segunda cirurgia foi realizada. O cirurgião Robert Montgomery, responsável pelo procedimento, abordou a United Therapeutics Corporation, empresa do campo da biotecnologia, e determinou que um rim de porco experimental editado por genes estava disponível e era compatível. “Sem a possibilidade de um transplante renal, ela não teria sido elegível como candidata a um LVAD devido à elevada mortalidade em pacientes em diálise com bombas cardíacas”, diz Montgomery, em comunicado.

Foi selecionado um rim suíno geneticamente modificado para “eliminar” o gene alfa-gal, responsável pela produção de açúcar. Sua remoção é uma precaução para evitar a reação de anticorpos, gerando rejeição do corpo pelo novo órgão trasplantado. Além disso, a glândula timo do porco doador, responsável por regular o sistema imunológico, foi colocada cirurgicamente sob a cobertura do rim para reduzir ainda mais a probabilidade de reação.

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