O que ainda falta para tirar o Brasil do Mapa da Fome?
Solução passa por uma política tributária que isente (ou até mesmo subsidie) os alimentos saudáveis e pelo estabelecimento de uma política de segurança alimentar e nutricional enraizada nos municípios
Há alguns dias, o IBGE trouxe boas notícias: a fome no Brasil diminuiu significativamente no ano passado. Os dados mostram que a insegurança alimentar grave diminuiu de 33 milhões para menos de 9 milhões de pessoas entre o início de 2022 e o fim de 2023 e que a somatória da insegurança alimentar grave e a moderada — ou seja, o total de pessoas que não se alimentam o suficiente para ter uma vida normal — reduziu de 65 milhões para menos de 21 milhões de pessoas no mesmo período.
A maior parte dessa queda foi reflexo das políticas macroeconômicas implementadas em 2023, em especial, o aumento real do salário mínimo, somado à redução do desemprego, ao controle da inflação de alimentos e ao impacto positivo da melhoria de programas sociais, como o Bolsa Família.
Apesar desses avanços, é necessário não se esquecer que quase 21 milhões de pessoas — número que se aproxima à população da região metropolitana de São Paulo — ainda passavam fome no Brasil, no período analisado. E que a fome persiste não pela escassez de alimentos, mas principalmente pela falta de poder aquisitivo dos mais pobres, ou seja, a falta de dinheiro para adquirir os produtos básicos.
A situação ainda é preocupante no Nordeste e, principalmente, na Amazônia, cuja insegurança alimentar está diretamente ligada à devastação causada pelo desmatamento e às atividades do garimpo ilegal, afetando não apenas as terras indígenas, mas também áreas de preservação e terras de pequenos agricultores familiares. Convém destacar que a fome hoje não está mais concentrada nas zonas rurais, como há 20 anos, quando implantamos o Programa Fome Zero. A fome hoje é fundamentalmente urbana — metropolitana, para ser mais preciso, pois está concentrada nas grandes cidades do país.
Infelizmente, o problema hoje não é apenas a fome daqueles que não comem o suficiente, mas também daqueles que comem mal. Na falta de dinheiro, as famílias comprometem a qualidade dos produtos que compram, trocando, por exemplo, a carne por salsicha ou ou o arroz com feijão por macarrão instantâneo. E cortam frutas, verduras e legumes, que, infelizmente, vêm tendo uma inflação muito superior à média, sendo substituídos basicamente por ultraprocessados.
