A teoria conspiratória que atribui às antenas HAARP inundações no Rio Grande do Sul
Uma teoria conspiratória que circula nas redes sociais atribui a antenas de um projeto científico americano chamado HAARP a responsabilidade pela tragédia climática no Rio Grande do Sul.
No entanto, cientistas já deixaram claro que a causa é uma rara combinação de fatores climáticos – potencializados pelo El Niño e pelo aquecimento global.
O HAARP (High-frequency Active Auroral Research Program, ou programa de pesquisa em aurora ativa de alta frequência) é um programa de pesquisa que tem como objetivo estudar as propriedades e o comportamento da ionosfera, que, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) é a camada da atmosfera localizada entre 60 km e 300 km de altitude, e está dividida em quatro regiões.
O estudo dessa camada da atmosfera é importante para entender como as ondas de rádio, que viajam pelo mundo para tornar possível a comunicação entre longas distâncias, se comportam nessas regiões. Seu wi-fi, a internet móvel do seu telefone e os aplicativos baseados em localização são afetados pela ionosfera.
A função do HAARP é usar seus instrumentos, como as antenas, para interferir na ionosfera local (excitando os átomos da região e aquecendo a ionosfera, por exemplo) para observar os efeitos que essa diferença de temperatura pode causar. O HAARP só consegue interferir em uma área limitada, que está sobre suas antenas.
O projeto está em andamento desde os anos 1990, mas em 2015, o controle do projeto e de seus instrumentos foi transferido da Força Aérea dos Estados Unidos para a Universidade do Alaska em Fairbanks. Os instrumentos de pesquisa do HAARP são, principalmente, o Instrumento de Pesquisa Ionosférica – um transmissor (antenas) de alta potência que opera em altas frequências de ondas de rádio – e um conjunto de instrumentos científicos e de diagnóstico que podem ser usados para observar os processos físicos que acontecem quando a região da ionosfera sofre excitação.
As pesquisas realizadas no HAARP não são confidenciais e, pelo menos uma vez por ano, a Universidade do Alaska promove um evento no qual visitantes de qualquer lugar podem conhecer o local onde ficam as antenas.
O HAARP pode causar chuvas?
Segundo a página do projeto, as frequências nas quais o HAARP opera não são absorvidas na troposfera e nem na estratosfera, que são as camadas da atmosfera que produzem o clima da Terra. Assim, não existem evidências de que o transmissor de ondas de rádio do HAARP possa interferir no clima.
“Ondas de rádio interagem com cargas e correntes elétricas, e não interagem significativamente com a troposfera. Além disso, se as tempestades ionosféricas causadas pelo sol não afetam o clima na superfície [da Terra], não há chances de que o HAARP possa fazer isso. Interações eletromagnéticas ocorrem apenas no quase vácuo da rarefeita, mas ainda eletricamente carregada, região da atmosfera acima de 60 km a 80 km de altitude [ionosfera]”, explica o site do projeto.
“A ionosfera é criada e continuamente reabastecida conforme a radiação do sol interage com os mais altos níveis da atmosfera da Terra”.
Desde sua criação, inúmeras teorias de conspiração surgiram acusando o HAARP de ser usado para controlar o clima e causar grandes catástrofes, como terremotos mortais. Até hoje, nenhuma evidência surgiu para confirmar a suposta imensa interferência das antenas do HAARP em partes tão diferentes do mundo.
