Por que o Brasil enterra tanto lixo reciclável?

Apenas cerca de 30% das cidades do país têm coleta seletiva. Desafio é maior nas cidades pequenas.

Em média, cada brasileiro gera cerca de 1 kg de lixo por dia, o que equivale a aproximadamente 380 kg por ano.

Mas apenas 8,3% do lixo gerado nas cidades é, de fato, reciclado, de acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Em 2024, o que não foi reciclado — mais de 70 milhões de toneladas de resíduos — teve dois destinos: aterros sanitários, onde o lixo é enterrado, ou lixões, a pior alternativa para o meio ambiente.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil perde cerca de R$ 38 bilhões por ano ao enterrar ou descartar em lixões materiais recicláveis e orgânicos que poderiam voltar à economia.

E por que esse desperdício?

Apenas cerca de 30% das cidades brasileiras contam com programas de coleta seletiva.

De acordo com o IBGE, todas as cidades com mais de 500 mil habitantes já implantaram o serviço. O maior desafio está nos municípios pequenos.

Especialistas apontam três fatores principais para o baixo índice de reciclagem no país:

O sistema de tributação: hoje, materiais recicláveis são tributados como se fossem matéria-prima nova. Isso faz com que o produto reciclado acabe pagando imposto duas vezes — na venda do material pela cooperativa e depois na indústria que o utiliza. No fim, o reciclado pode até ficar mais caro do que o produto feito com matéria-prima virgem, o que reduz a competitividade da reciclagem.

Falta de infraestrutura das cidades: faltam coleta seletiva, pontos de entrega e centrais de triagem.

Falta de conscientização da população: muita gente não separa o lixo corretamente, ou até separa, mas tudo acaba indo para o mesmo caminhão.

O lixo é responsabilidade dos municípios. De acordo com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), os principais desafios para ampliar a coleta seletiva no país são o alto custo financeiro, a complexidade de gestão e a baixa arrecadação para cobrir as despesas com resíduos.

Segundo a FNP, o desequilíbrio financeiro é um dos maiores entraves: em 2022, por exemplo, os municípios brasileiros gastaram cerca de R$ 30 bilhões com coleta de lixo (seletiva e convencional), mas arrecadaram apenas R$ 9,9 bilhões — ou seja, só 32% dos custos são cobertos.

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